Menos de um ano após sair da cadeia, o cabeleireiro Júlio César dos Santos, de 38 anos, já era um empreendedor formalizado. Libertado no fim de dezembro de 2009, após cumprir pena de quatro anos por roubo a mão armada, ele abriu o Salão Popular Julio César em julho de 2010, no andar de cima da casa onde mora, na parte baixa do Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Em outubro do mesmo ano, tirou o alvará de microempreendedor individual.“A legalização é uma segurança”, afirma Santos, que, desta forma, quer deixar para trás o passado recente: “Quero pagar uma dívida com a sociedade, que não cortou minhas mãos, como em outras nações, e me deu uma nova chance.”
Antes do assalto – “por causa da bebida e da droga fui ao fundo do poço” - , Santos trabalhava como padeiro em grandes redes de supermercados. Na cadeia, ele aprendeu a cortar cabelos. “Não tinha tesoura. Comecei com um pente e uma navalha e cobrava R$ 1 por corte”, conta. “Os presos gostam de andar bonito. E os agentes penitenciários gostavam de me ver trabalhando”, recorda.
O diretor de uma das penitenciárias onde Santos cumpriu pena deu autorização, em 2006, para que ele comprasse uma máquina de corte de cabelo. “Na cadeia, consegui juntar dinheiro para começar meu trabalho do lado de fora”, explica ele. Quando saiu, a irmã de Santos deu R$ 1,5 mil para ajudá-lo. “Eu não comprei nada para a minha casa: nem cama, nem geladeira, nem fogão. Eu optei pelo meu trabalho”, conta o cabeleireiro, com os olhos cheios d' água.
Fonte: G1

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